A terceirização de serviços relacionados ao saneamento básico foi recentemente anunciada pelo governo federal em uma parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Em entrevista, Edson Carlos, presidente do Trata Brasil (instituto com atividades no ramo de saneamento básico), mostrou suas perspectivas em relação a esta nova parceria, apostando na melhoria destes serviços sanitários tanto em sua administração quanto na utilização dos recursos financeiros.

O entrevistado também destacou a importância da diminuição nos níveis de desperdício de água tratada como uma das significativas melhorias advindas das Concessões e PPPs, noticia Felipe Montoro Jens.

Comentando uma possível exclusão do setor público nos serviços sanitários básicos devido à entrada do setor privado, Edson explicou que o saneamento básico no Brasil possui atualmente 90% de seus atendimentos realizados pelo setor público, sendo que, destes, 70% são atendidos por empresas estaduais (tipo SABESP, EMBASA,…), deixando desta forma bem claro que para ele a inclusão do ente privado não será razão para a exclusão das empresas públicas.

O presidente do instituto Trata do Brasil também afirmou que as empresas de saneamento públicas possuem uma grande e importante experiência, que pode (e deve) ser potencializada com a parceria de outras empresas privadas, relata Felipe Montoro Jens, especialista em projetos de infraestruturas.

De modo a encontrar um plano de ação efetivo, o BNDES elaborará planos de ação para cada Estado e município por ele entendido, possibilitando que o Banco responda da melhor forma possível as necessidades de cada lugar, explica Edson.

Com relação aos notáveis desperdícios de água devido à falta de serviços adequados, o Banco destacou que tal perda gera grandes perdas financeiras para as empresas públicas e que tal situação poderia ser evitada com um volume não muito significativo de investimentos. Segundo Edson, este problema poderia ser resolvido com mais eficiência por empresas privadas, uma vez que tais empresas dispõem de recursos financeiros e tecnológicos, importantíssimos para a boa gestão da água no País.

Esclarecendo ainda mais sobre as desigualdades das empresas públicas e privadas no que diz respeito aos níveis de desempenho junto a população, Edson disse que o simples fato da organização ser eficiente não deveria ser classificado pela natureza da administração que possui.

Segundo o gestor do instituto, é necessário que haja uma sintonia fina entre a Concessionária e as necessidades da população local, inclusive no que diz respeito ao valor da tarifa a ser cobrado, sublinha o especialista Felipe Montoro Jens.

Finalizando, Edson disse ser importante manter as metas de desempenho bem claras no âmbito da elaboração do contrato, bem como na adoção de fiscalizações por parte dos órgãos públicos onde os serviços serão prestados. Salientando, o presidente do instituto considera de extrema importância que os governantes façam uma revisão das atividades desenvolvidas ao longo do processo, com vista a garantir a correta implementação do que foi combinado, noticia Felipe Montoro Jens.