Em diferentes partes do mundo, as culturas que foram se desenvolvendo junto ao capitalismo desenvolveram conceitos morais diferentes em relação a visão do lucro obtido. Segundo a professora Deirdre McCloskeu, o estudo de como a Europa passou a admirar os investidores e empreendedores com honrarias no século XVII e XVIII teve grande peso na influência moral positiva em relação ao lucro.

As boas condições de vida observada por essa população em países da Europa, foram fundamentais para a expansão dessas ideias que também impulsionaram o início da indústria no mundo. Ao longo da evolução desta ideia no mundo todo e a expansão da indústria no século XVIII, o lucro começou a ser apontado como o motivo dos males de uma sociedade. Acabou sendo criado um paradoxo, onde fica a pergunta: o lucro obtido por um indivíduo gera impactos negativos a outros indivíduos da mesma sociedade?

Antes devemos saber o que é o lucro, como se define o lucro e sua principais características. De uma forma convencional, o lucro é o resultado de todo o valor arrecadado por uma empresa ou indivíduo empreendedor ou investidor que, são subtraídos do valor total investido sendo o lucro o resultado desta subtração.

Quando isso acontece, as empresas e indivíduos passam a ter mais poder aquisitivo e podem consumir mais produtos e serviços de outras empresas e indivíduos. Essas empresas passam a ter uma receita maior e passam a contratar mais empregados para produzir mais produtos. A demanda de serviços e produtos gerados ficam maior e o mercado relativo a esses produtos e serviços começam a atingir outras sociedades e culturas do mundo.

Diante deste conceito, fica claro de entender que o lucro não tem peso para contribuir para os malefícios da sociedade. Levando em conta que um produto seja nocivo para a sociedade desde sua produção até ele ser consumido, não será o lucro obtido por essa empresa ou indivíduo o detentor do papel de vilão, sendo que as práticas abusivas e antiéticas de uma empresa ou indivíduo são consequências da índole dos administradores.

O fundador de uma das principais e mais lucrativas rede varejista Walmart, sempre disse que para ele perder sua riqueza acumulada com cada dólar adquirido como lucro de venda, bastava que as pessoas deixassem de comprar em suas lojas. Sam Walton foi considerado o homem mais rico dos Estados Unidos na década de 80.

Isso ajuda a ilustrar de uma certa forma que o lucro é amoral, ou seja, ele é uma consequência natural dos produtos e serviços negociados, sejam eles bons ou ruins para a sociedade. O conceito de obtenção de lucro ajuda a impulsionar a economia de um país e a criar mais empreendedores. A consequência disso é um número maior de empregos gerados. No Brasil, as pequenas e médias empresas respondeu por 54% das vagas de empregos formais em 2017, segundo o IBGE.