Evitar pagar impostos é o principal motivo que estimula os ricos a adotarem manobras para ficarem isentos de taxas mais altas. Com um poder aquisitivo alto o suporte necessário para prover todas as informações que estão dentro da lei está à disposição. A “elisão fiscal” é o nome que se dá quando a carga tributária foi reduzida através de regras que estão previstas na legislação.

O técnico de futebol Cuca recebeu uma multa de R$ 3,6 milhões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que alega o pagamento de menos impostos sobre o seu salário enquanto estava trabalhando como treinador do Santos e do Botafogo.

Como pessoa jurídica, o atual técnico do Palmeiras pagava uma alíquota de 15% a 25% do lucro de sua empresa, no entanto, de acordo com a Receita Federal, Cuca teria que ser tributado como pessoa física e ter pago 27,5% de imposto, nesse caso foi feita a constituição de uma empresa como uma manobra para pagar menos ao Fisco.

O jogador de futebol Pato também foi condenado a pagar R$ 5 milhões por um processo da Receita, no entanto, cabe recurso.

Em contato com a assessoria do clube, a BBC Brasil teve a resposta de que Cuca teria se manifestado sobre o caso durante uma entrevista coletiva, enquanto a assessoria de Pato não retornou.

Não é apenas a área futebolística que tem essas questões tributárias. Para pagar menos sobre a renda e patrimônio, os mais privilegiados financeiramente sabem como se esquivar de várias maneiras. As estratégias usadas que têm o efeito esperado não são ilegais, pelo menos em sua maioria.

O planejamento tributário é um recurso estritamente usado por pessoas que tem um patrimônio econômico que esteja dentro do mínimo necessário, pois as operações não valem a pena para rendas baixas.

Uma das práticas mais usadas é a constituição de uma empresa para se esquivar dos tributos. São diversos os motivos que originam essa prática. Quando uma pessoa física recebe um valor, no Brasil ele é totalmente isento de impostos, pois as empresas já teriam pago ao Fisco até 34% de seu lucro, porém, a cobrança tem um peso menor para muitas empresas, afirma o economista Sérgio Gobetti do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Existem regras que garantem que uma empresa possa se manter no regime Simples com um faturamento anual de até R$ 3,6 milhões, e assim ter uma tributação de 4% ou até de 22%, isso vai depender do porte e do setor da empresa contribuinte.