O brasileiro não consegue guardar dinheiro. Um estudo feito pelo Banco Mundial em 11 países, revelou que o Brasil ficou em último lugar no quesito economizar

 

Guardar dinheiro, uma missão quase impossível. Sempre existe algo para gastar, sempre existe uma emergência ou uma data festiva, um aniversário, alguma coisa que implica em gastar dinheiro. Sem reservas de dinheiro, o jeito é torcer para que não aja imprevistos, pois se algum imprevisto aparecer:

“Ai tem que ver o que dá para fazer, eu não tenho previsão nenhuma para imprevisto, eu sou imprevisível. Eu sei que isso não é bom, ainda mais na minha idade, mas são coisas que nós vamos deixando de lado e quando vamos ver já é tarde demais para chorar. O que eu vejo muito é uma falta de planejamento desde sempre, isso deve começar a mudar principalmente para esse público mais jovem”, diz o aposentado, Fauze Sairre.

Denúncias recorrentes de corrupção e crise econômica, nem as piores notícias são capazes de acabar com o bom humor e o otimismo do brasileiro. É justamente essa alta confiança, um dos motivos para o nosso despreparo financeiro. Um estudo feito pelo Banco Mundial em 11 países, colocou o Brasil na última posição quando o assunto é economizar para velhice.

“As pessoas acham que não vai ter emergência porque nós também tendemos a ter uma autoconfiança exagerada em achar que emergência acontece só com o vizinho, comigo não vai acontecer nada”, diz a conselheira de psicologia econômica, Vera Rita Ferreira.

A falta de objetivo é outro complicador, por isso definir um destino para a poupança, como por exemplo, saúde, aposentadoria ou manutenção, pode ajudar mesmo que não haja prazos. Submetas também são motivadoras.

“Então a pessoa deve planejar, porque a chave está em um bom planejamento. Depois ela terá alguns momentos em que poderá retirar uma parte para saborear, para usufruir, para se divertir e fazer coisas que ela goste. Isso dá um pequeno alívio, abre um parêntese para a pessoa ter em mente que ela também está aproveitando a vida”, diz Vera.

“Nós brasileiros temos uma falta de educação financeira muito grande, nós temos inclusive falta de educação formal básica. Hoje no Brasil o que se vê é uma educação precisando urgente de investimentos sérios, o que dirá então em relação a educação financeira”, diz a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

“Existe um pensamento impregnado na mentalidade do brasileiro de que tudo é a curto prazo, as pessoas pensam naquele mês, pensam em fechar as contas agora e não pensam no mês seguinte. Mesmo com a crise econômica do tamanho que nós estamos vendo, os brasileiros deveriam começar a pensar no longo prazo, onde os imprevistos acabam sendo até mais comuns, portanto eles deveriam estar se preparando para esses imprevistos sempre”, diz Marcela Kawauti.