A ascensão do novo presidente dos Estados Unidos tem causado comoção mundial. Soma-se a importância do cargo de comando em uma das maiores economias do planeta a figura pitoresca que Donald Trump, empresário de carreira, construiu desde o processo eleitoral. Todas essas manifestações de apoio ou de questionamento podem causar insegurança, principalmente, diante da crise já experimentada no Brasil. Entenda de que forma o Brasil seria impactado pelas ações do novo presidente estadunidense.

Protecionismo econômico e exportações nacionais:

O discurso que ascendeu o republicano à presidência foi de promessas sobre a prosperidade interna dos EUA. Fadigados por quase uma década vivendo as consequências da crise de 2008 os estadunidenses apostaram no empresário para conduzirem a economia em seu recrudescimento.

O caminho para isso no curto prazo é o Protecionismo Econômico, política na qual um país aumenta a taxação sobre as importações para dificultar a entrada de produtos estrangeiros em seu território e com isso fortalecer a indústria nacional.

Isso afetaria as exportações do Brasil, basicamente produtos do setor primário, diretamente para os EUA. Por outro lado, também especula-se acerca da redução das exportações chinesas com essa medida e, por conseguinte, menor demanda da China para os commodities brasileiros.

Mudanças na taxa de juros:

Uma consequência do Protecionismo seria a geração de inflação dentro dos EUA, pois, se os produtos ofertados a população forem produzidos nacionalmente, seu custo para o consumidor será mais elevado devido ao maior custo de produção nas indústrias estadunidenses (taxação, mão de obra, legislação ambiental etc).

Para corrigir esse fenômeno o equivalente do Banco Central (BC) para os estadunidenses, o Federal Reserve (FED), aumentaria sua taxa de juros. Essa medida visa retirar capital de circulação, já que torna mais vantajoso “emprestar” ao governo do que utilizar esse dinheiro.

No entanto, não é possível limitar esse efeito de uma taxa de juros alta apenas aos Estados Unidos, isto é, é provável que capital investido em outros países, com o Brasil, também seja removido para aplicação no (FED). Isso implica em efeitos sobre a moeda nacional e sobre o setor produtivo, exigindo resposta por parte do BC.

Protecionismo funciona?

Sob algumas circunstâncias a adoção de tarifas para importações tem histórico de funcionar para aumento da produção nacional. A própria industrialização brasileira foi realizada sob essa política, implantada pelo presidente Juscelino Kubitschek, com a lógica de “substituição de importações”, ou seja, cobra-se altos impostos para que produtos importados entrem no país a fim de tornar mais vantajoso que se produza internamente, ainda que isso implique em uma multinacional estabelecer uma sede naquele local.

No entanto, as chances de que Trump realmente consiga implantar essa política são pequenas, pois há acordos comerciais e a Organização Mundial do Comércio (OMC) que tem por objetivo impedir políticas protecionistas. A lógica aqui, a qual os EUA já seguiram por muito tempo, é a de livre comércio, isto é, deve-se investir em produtividade para que o produto deu um país consiga competir com o importado.