De acordo com matéria publicada pelo site da revista Exame, diversos investidores chineses demonstraram a intenção de injetar cerca de US$ 20 bilhões na economia brasileira. A Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIB) apontou que se as perspectivas se confirmarem haverá aumento de 68% no volume de transações entre os dois países, se comparado com o ano de 2016. Atrás apenas dos Estados Unidos, o país estrangeiro vê no potencial brasileiro a segunda grande oportunidade de se comprar ativos. As empresas que desejam estreitar os laços econômicos são oriundas principalmente dos segmentos de transportes e agronegócios e energia, reporta o vice-presidente do Banco BMG, Marcio Alaor.

Companhias como a China Southern, Power Grid, Guodian, SPIC e Shangai Eletric, embora sejam ainda pouco conhecidas no território brasileiro, são de grande relevância e prometem aquecer as transações do Brasil em relação aos ativos. Para Charles Tang, que atualmente preside a CCIBC, o país passou a atrair há meses as atenções do parceiro comercial, atraindo empresas interessadas na realização de negócios, ressalta o atual gestor do Banco BMG, Marcio Alaor.

Com a atual onda de privatizações, o país chinês pôde conhecer mais profundamente as peculiaridades econômicas brasileiras. Dessa forma, houve um gasto estimado em US$ 21 bilhões na compra de 21 companhias. Para ilustrar o grande interesse pelos negócios do Brasil, Marcio Alaor, do Banco BMG informa que houve a venda de hidrelétricas cuja administração era de incumbência da CESP para a China Three Gorges, além da CPFL, que passou a ser de propriedade da State Grid.

Especialistas no assunto classificam esse grande interesse estrangeiro como a terceira onda de investimentos, levando-se em conta as transações chinesas. Além da aquisição de grandes empresas brasileiras, os chineses também têm se destacado pelas parcerias, como a que foi firmada com a Vale, mesmo que o negócio não tenha atingido os objetivos traçados. No ano de 2011, contudo, houve a compra de alguns ativos da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, onde se espera que haja retorno por parte do nióbio, através de sua exploração, ressalta o executivo do Banco BMG, Marcio Alaor.

Mario Nogueira, advogado atuante no escritório Demarest, acredita que algumas empresas chinesas não obtiveram o sucesso almejado quando da segunda onda de investimentos pelo fato de não possuírem profundo conhecimento acerca do mercado brasileiro. Ele afirma que as companhias da atualidade têm contratado vários profissionais com a finalidade de conseguirem enxergar com maior lucidez o atual momento que a economia do Brasil atravessa e algumas características peculiares aos negócios com o país. Muitas organizações têm analisado bastante detalhadamente os aspectos inerentes a cada região, conclui Nogueira.

Com os ativos apresentando valores mais em conta, os chineses se vêem muito motivados em suas atuações em solo brasileiro. Prova disso são as negociações com a intenção de se gerir a área de transmissão da Eletrosul por parte da Shangai Electric, que considera dispor de R$ 3,3 bilhões em investimentos. A SPIC almeja comprar a hidrelétrica Santo Antônio e para isso disputa a transação com outras companhias. Já a CCCC objetiva obter ativos nos setores ferroviário e de construção, noticia vice-presidente do Banco BMG, Marcio Alaor.