A imensa extensão territorial do Brasil em termos de latitude fornece uma riqueza de recursos naturais com a qual pouquíssimos países podem se equiparar. Essa característica permite, principalmente no que diz respeito à obtenção energética, que o país desfrute de uma variedade de modalidades. Quanto a produção de energia elétrica, no entanto, sua fonte é majoritariamente as usinas hidroelétricas. Nesse sentido, até o ano de 2024 será necessário triplicar a participação de outras fontes renováveis na geração de eletricidade.

Essa é a conclusão do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), instituição semelhante à uma Organização sem fins Lucrativos (ONG) cujo objetivo é produzir e divulgar conhecimento relativo a questões ambientais, em artigo publicado no Nexo Jornal, assinado por Kamyla Borges Cunha.

Essa necessidade imperiosa para os próximos anos, ainda segundo a artigo, deve-se ao compromisso firmado pelo país no Acordo de Paris no qual se compromete com a redução dos gases estufa. Além disso, a própria demanda interna do Brasil exige essa adaptação pelo fato de que alterações climáticas podem comprometer a geração por hidroelétricas e colocar em risco a oferta de eletricidade.

Como um todo, a matriz energética brasileira conta com participação expressiva de fontes de energia renováveis, o que é extremamente positivo quando se considera a poluição ambiental. Segundo dados de 2015, a energia renovável respondeu por 41,2% do total gerado. No entanto, a suscetibilidade dessa modalidade bem como o impacto ao meio ambiente que sua implantação produz (não sua atividade, mas a criação de hidroelétricas) justificam a opção por explorar outros modelos.

Nessa discussão, o IEMA apresenta em seu artigo como alternativas a energia eólica e a solar, ambas plenamente possíveis de serem exploradas no Brasil devido as características de relevo e climáticas. Chama atenção o fato de que, segundo a Resenha Energética Brasileira relativa ao ano de 2015, o gás natural tenha a segunda maior participação na geração de eletricidade nacional. Por ser uma fonte não renovável e, além disso de origem fóssil o impacto ambiental gerado é significativo.

Acrescenta-se à preocupação ambiental as implicações financeiras que a matriz de geração de eletricidade possui, pois, na incapacidade de abastecimento da demanda interna pelas hidroelétricas, é necessário recorrer à geração por termoelétricas. Conforme se observou nos últimos anos, quando essa medida foi necessária, os custos para o funcionamento dessas é repassado ao consumidor, por meio das bandeiras tarifárias.

Assim, em comparação a outros países industrializados o Brasil possui uma boa divisão entre fontes renováveis e não-renováveis em sua matriz energética. Contudo, é de fundamental importância realizar investimentos para consolidação de modelos com produção de energia renovável, seja para atender os compromissos internacionais com a preocupação ambiental ou para diversificação interna em favor de maior segurança desse sistema.