Ao que tudo indica as construtoras começaram o ano contando com um incentivo. Trata-se da redução da taxa SELIC para 13% ao ano, afixada em 11 de janeiro. A cotação dos papéis também sofreu significativas elevações, superando 40% dos pregões de todo ano até o momento. Para Adeodato Netto, da consultora Eleven Financial, por depender de crédito o segmento foi muito beneficiado com a queda dos juros.

O período aquecido não leva em conta peculiaridades de cada empresa envolvida, tais como estoque, quantidade de distratos, dividas, lançamentos, dentre outros fatores. O setor é afetado há cerca de dois anos por conta da queda das vendas e da enorme quantidade de desistências de compra, os chamados distratos. Dessa forma, as construtoras não têm conseguido honrar com suas dívidas, algo que as prejudica em vários aspectos.

No ano de 2013 o percentual de ocorrência de distratos era de 10%, mas em 2015 houve elevação de 41% apenas no período compreendido entre janeiro e outubro. Já em 2016, o índice foi ainda melhor, alcançando 46%. Ricardo Ribeiro da Direcional Engenharia conclui que a desistência dos contratos pode gerar um grande e negativo impacto sobre a indústria, comprometendo sua sustentabilidade.

O momento promissor para o segmento pode ser percebido através do desempenho de empresas como a Cyrela, que voltou a lançar imóveis depois de um hiato de 4 anos. A estratégia da construtora consistiu em brecar lançamentos ao passo em que colocava a venda seu estoque. Os resultados da ação causaram surpresa aos membros da Citi Corretora. Em comparação com o trimestre anterior, as vendas cresceram 105%, totalizando R$856,00 milhões.

Netto da Eleven afirma que sempre recomenda as construtoras Eztec, Even e Cyrela. A boa avaliação se deve, segundo ele, a características como o fato de possuírem menos necessidade de trabalharem com a queima de seus estoques, atuarem em praças mais sólidas, como a capital paulistana, dentre outras. Os bancos têm retomado suas atividades voltadas ao financiamento. Em contrapartida, a quantidade de clientes que desejam estabelecer distratos sofreu ligeira queda, fenômeno ocasionado em partes pela instituição de novas regras contratuais.

Arnon Velmovitsky, do Instituto dos Advogados do Brasil, atribui a restauração do setor a medidas como multar em 10% do valor quem desejasse desistir de um contrato. Segundo ele, que é presidente da instituição, a cobrança é de suma importância, pois há em torno de 1 milhão de ações na justiça, referentes ao assunto.

Netto aponta, no entanto, que algumas empresas ainda precisam amadurecer suas estratégias, possuindo uma longa trajetória pela frente. Ele cita que organizações como a Gafisa têm menos atratividade em seus papéis. A construtora chegou ao final do terceiro trimestre com caixa de R$610 milhões e uma grande necessidade de encontrar o equilíbrio em suas contas.

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