A princípio, a muitos pareceria que a situação de crise econômica, inevitavelmente, levaria a um aumento no número de jogadores tentando a sorte grande. Porém, essa expectativa mostrou-se falsa, quando se constatou, lendo-se o balanço recentemente divulgado pelo Ministério da Fazenda, que as Loterias Federais arrecadaram 13,8% a menos, em 2016, se compararmos com a arrecadação que tiveram no ano anterior, 2015.

 

Apesar de consideravelmente menor, ainda assim um montante que impressiona, cerca de 12,8 bilhões de reais, segundo informou a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda (Seae). E como já se imaginava, o próprio ministério culpou a “retração da atividade econômica”, pela queda já citada.

 

No entanto, retirando o específico caso desse ano de instabilidade no bolso de todos os brasileiros, podemos dizer que, em relação à arrecadação nominal com as loterias, percebia-se um notório crescimento, pelo menos nos últimos quatro anos anteriores ao de 2016. Em ordem decrescente, excluída essa queda em 2016, com os seus R$ 12,8 bilhões, tiveram as loterias um total de R$ 14,9 bilhões arrecadados, em 2015; no anterior, 2014, a quantia foi de R$ 13,5 bilhões; em 2013, de R$ 11,4 bilhões; e, quatros anos antes, em 2012, de R$ 10,5 bilhões. Como se vê, a tendência era de, em média, um crescimento de arrecadações na casa de 10% ao ano.

 

Independente da evidente queda, o ministério manteve os esperados repasses de parte dessa quantia bilionária para investimentos do interesse público. Por meio de nota, informaram que, desses R$ 5 bilhões que separaram, R$ 2,1 bilhões foram para a Seguridade Social (Previdência Social, assistência social e saúde); R$ 1,2 bilhão para o Programa de Financiamento Estudantil do Ensino Superior (Fies); R$ 950 milhões para o Ministério do Esporte, os comitês Olímpico e Paraolímpico brasileiros, a Confederação Brasileira de Clubes (CBC) e os clubes de futebol; R$ 385 milhões para o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen); R$ 359 milhões para o Fundo Nacional de Cultura (FNC); e, por fim, R$ 8,9 milhões para a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e também para a Cruz Vermelha.

 

Listados os investimentos do Ministério da Fazenda, fica então a dúvida sobre o destino dos bilhões de reais que estão ausentes na contagem acima. Pois bem, dos R$ 7,17 bilhões que restaram, foram enviados R$ 6,1 bilhões aos cofres do Tesouro Nacional, ou seja, revertidos para o próprio governo. Da conta, os R$ 1,07 bilhões que sobram por fim, nada mais são que a exata quantia arrecadada diretamente como Imposto de Renda sobre os prêmios pagos.

 

Em sua já referida nota oficial, ainda que em situação negativa de queda nas arrecadações, o Ministério da Fazenda, em acréscimo conclusivo, preferiu por tomar uma posição mais otimista para o futuro, dizendo assim acreditar no grande potencial de expansão das modalidades lotéricas em nosso país, conforme está mais bem explicado na matéria do site Valor Econômico, que é especializado em questões do tipo, onde também falam da pretensão do governo em relação à Loteria Instantânea Exclusiva (Lotex).