A reforma previdenciária é, já há algum tempo, um dos assuntos mais recorrentes no meio político e econômico do Brasil. Pode-se dizer que já é consenso que uma reforma de grande magnitude recaia sobre o setor previdenciário do Brasil, uma vez que este dá, cada vez mais, sinais de que não conseguirá se sustentar por muito mais tempo, uma vez que o aumento da expectativa média de vida gerando um aumento na parcela mais velha da população e que depende da previdência social. Tal situação proporciona um cenário no qual a União um grande aumento das despesas com aposentadoria.

Todavia, a reforma previdenciária que vem sendo proposta pelo atual governo brasileiro parece não agradar boa parte da população. Isto porque a reforma pretende aumentar consideravelmente o tempo de contribuição do trabalhador. Segunda a nova regra, a idade mínima para se aposentar passa a ser de sessenta e cinco anos, desde que o trabalhador em questão já tenha contribuído por pelo menos vinte e cinco anos. A polêmica aumenta quando se analisa que, contribuindo apenas por vinte e cinco anos, o trabalhador não terá direito a receber a totalidade do valor da aposentadoria, recebendo apenas setenta e seis por cento. A fim de receber cem por cento do valor da aposentadoria, o tempo de contribuição passaria a ser de quarenta e nove anos, ou seja, um jovem que comece a trabalhar aos dezoito anos de idade, só se aposentaria recebendo a totalidade desse valor aos sessenta e sete anos de idade.

Por já terem um tempo muito maior de contribuição e estarem consideravelmente mais próximos da aposentadoria, homens a partir dos cinquenta anos e mulheres a partir dos quarenta e cinco receberão um benefício da nova regra. Estes precisaram contribuir por apenas cinquenta por cento a mais do que o tempo que lhes faltava para aposentar, não sendo necessário que trabalhem até os sessenta e cinco anos de idade, como os demais.

Embora polêmica, o governo de Michel Temer defende ferrenhamente que a reforma deve ser integralmente implementada e inclusive tem feito propaganda na imprensa com o lema “reformar para não acabar”. Veja aqui.

Ainda, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, parece compartilhar da mesma opinião do presidente da República acerca da reforma e já se manifestou no sentido de agilizar a tramitação da matéria na Casa, de forma que esta poderá já ser votada durante as primeiras seções do ano que vem, assim que os parlamentares retornarem do período de férias.