Os momentos de instabilidade econômica atravessados pelo Brasil, especialmente nos últimos dois anos, fazem com que muitas pessoas acabam contraindo dívidas. Isso acontece porque fatores como inflação alta, aumento do desemprego, dólar mais caro e taxas de juros elevadas, influenciam diretamente na capacidade da população em arcar com seus compromissos financeiros, o que aumenta as chances de endividamento e, consequentemente, o número de inadimplentes.

Dessa forma, como reporta o empresário Marcio Alaor, vice-presidente do Banco BMG, os consumidores devem ficar atentos a alguns detalhes sobre o endividamento e o que pode ser feito para evitá-lo. O primeiro aspecto que as pessoas devem prestar atenção está relacionado ao modo como elas lidam com suas dificuldades financeiras, pois muitos consumidores, por não quererem baixar o padrão de vida, acabam recorrendo a recursos que impulsionam o endividamento.

Tomar empréstimos, parcelar pagamentos e fazer uso do cheque especial são alguns exemplos de práticas extremamente prejudiciais e que podem levar alguém a contrair grandes dívidas, principalmente quando essas operações deixam o consumidor comprometido com os bancos, que cobram juros cada vez mais altos, lembra Marcio Alaor.

Assim, antes de se expor a esse tipo de risco, as pessoas devem fazer uma avaliação ampla sobre suas finanças, pois isso viabiliza conhecer todo o cenário futuro, inclusive saber se os gastos mensais serão maiores ou menores que o valor que se ganha. Com isso, no caso do resultado ser negativo, o corte de gastos é a alternativa mais indicada.

Na verdade, muitas pessoas ficam assustadas quando percebem que precisarão baixar seu padrão de vida. Contudo, como afirmam especialistas em educação financeira, sempre é possível fazer cortes sem necessariamente começar a passar dificuldades. Isso acontece porque existem diversas despesas desnecessárias que, somadas ao final do mês, comprometem uma grande parcela do orçamento.

Destarte, quando é feito um planejamento para eliminar alguns gastos, o saldo é bastante positivo, pois embora pareçam insignificantes, algumas despesas aleatórias acabam comprometendo um grande valor mensal, reporta o executivo Marcio Alaor.

Por isso, ponderar a possibilidade de cortar gastos é uma alternativa bem melhor que fazer empréstimos, usar o cheque especial e parcelar ou financiar certos pagamentos. Nesse sentido, Marcio Alaor noticia que os financiamentos também são grandes vilões, pois quando o orçamento não está dando conta deles, muitas pessoas acabam direcionando todo o seu ganho mensal a essa finalidade, enquanto as outras despesas são pagas com o cartão de crédito.

Assim, em pouco tempo a fatura do cartão também já não cabe no orçamento, o que leva o consumidor a utilizar o cheque especial. Com isso, em poucos meses todas as alternativas terão se esgotado e a pessoa estará endividada e correndo grande risco de ter seu nome inscrito em listas de restrição ao crédito, o que leva ao total desespero e influencia diretamente no cotidiano, tanto é que são comuns casos de pessoas que têm depressão em decorrência dos problemas financeiros.

Tudo isso, de acordo com o que dizem os educadores financeiros, é causado por fatores como o consumismo, o analfabetismo financeiro, a má utilização de recursos que deveriam servir para situações extremas, como os empréstimos e o uso do cheque especial, e a facilidade em encontrar crédito quando o ciclo do endividamento está apenas começando.

No entanto, como cita Marcio Alaor, todos esses problemas podem ser evitados através de ações relativamente simples, entre elas: fazer uma análise mensal da situação financeira; monitorar despesas eventualmente desnecessárias; não comprar com moeda estrangeira, principalmente o dólar, que atualmente está muito caro; e rever o padrão de vida antes de partir para “soluções” mais drásticas, como contrair empréstimos ou usar o cheque especial.